Terminou o primeiro Comic Con Portugal

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Durante o último fim de semana decorreu, em Matosinhos, o maior evento de sempre da cultura pop no nosso país, a Comic Con Portugal.

A Exponor foi o local escolhido pela organização para a estreia no nosso país deste mega-evento, que se revelou ser uma excelente escolha, pois as suas condições físicas estiveram à altura da enorme afluência de público que visitou os pavilhões durante os três dias. Os fãs da 7ª arte e de comics, os geeks e nerds, tiveram a grande oportunidade de estar em contacto em Portugal com artistas e obras dos seus temas de eleição, como a BD, Cinema, TV, Videojogos, Cosplay, Anime e Manga. Nós andamos por lá e contamos aqui a experiência.

Dia 1 – as expectativas

No primeiro dia, a apreensão à chegada ao local era grande. Só pela simples associação à marca Comic Con implicava que o evento tivesse logo à partida um grau de expectativa demasiado elevado. Mas o primeiro contacto com a Exponor decorreu com muita normalidade. A entrada no recinto aconteceu sem contratempos, foi apenas necessário descobrir o nº do pavilhão por onde entrar e recolher a bracelete sem filas e confusões. Seguiu-se um passeio lento pelos diferentes pavilhões para conhecer e criar uma habituação aos espaços.

Artist´s Alley

Artist´s Alley

Os vários pavilhões ofereciam agradáveis surpresas em praticamente todos os recantos. Começando pelos espaços dedicados à BD com a passagem por uma galeria de comics e pela área Artist´s Alley, pontos que deixaram de certeza todos os fã de banda desenhada deliciados com a exposição de páginas de comics e a presença ao vivo dos artistas. É muito agradável a possibilidade de ver as tiras animadas ao mesmo tempo que se pode conversar com os seus criadores, como o importante escritor americano Brian K. Vaughan ou os espanhóis Marcos Martín, Carlos Pacheco e Javier Rodriguez, conhecidos pelas suas ligações à Marvel. Afinal, foi essa mística de partilha que originou a Comic Con nos Estados Unidos na década de 70 e Portugal soube muito bem contribuir para essa tradição. O evento tinha ainda reservado nesta área um espaço para um auditório e uma zona de autógrafos, que não chegamos a conhecer muito bem. Afinal, eram outros os temas que íamos à procura.

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Multidão na área de expositores

A segunda grande surpresa chega com a entrada na área de expositores. Jogos digitais e de tabuleiro, consolas,  action figures, réplicas, merchandising de todos os tipos, livros, filmes ou roupa personalizada. Tudo era possível adquirir ali. Além disso, havia ainda espaços para jogar, para fazer pintura corporal ou uma tatuagem. Como se ainda não bastasse, um espaço para divulgar startups e dois auditórios para workshops concluíam a visita por esta zona. A sensação que ficou foi de que se a área da Comic Con Portugal acabasse aqui não resultaria mal algum, seriam de certeza três dias bem passados. Mas felizmente ainda havia mais.

A terceira parte desta viagem deu-se com a entrada no maior pavilhão da Exponor, reservado para o principal cartaz deste fim de semana. Dois auditórios e um Hall of Fame para receber todas as celebridades anunciadas, mais alguns expositores e uma Fan Zone. Foi aqui que passamos a maior parte do tempo… Mais uns passos e entrava-se na zona dedicada às crianças com o seu auditório e expositores temáticos, que tanto alegraram os membros mais pequenos da nossa comitiva.

Depois de conhecer os espaços, estávamos prestes para arrancar com a nossa verdadeira Comic Con, através da entrada no auditório A. Começamos com a exibição de um preview da série The Musketeers que estará em exibição na RTP. É uma nova versão da clássica história criada pelo escritor Alexandre Dumas, produzida pela BBC, que muito nos agradou ver. Estava tudo preparado para receber a primeira estrela, Morena Baccarin.

Morena Baccarin nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para os Estados Unidos com 10 anos. Depois dos estudos nas artes performativas, entra no mundo da representação através do teatro e transita para a televisão e cinema, onde já coleccionou cerca de quatro dezenas de aparições como actriz. É mais conhecida sobretudo pelas participações nas séries V e O Mentalista, assim como pela sua presença confirmada em  Gotham. No arranque da sua participação na Comic Con Portugal deu a sensação de estar nervosa. Não pareceu confortável à primeira abordagem do moderador e do público. Quisemos pensar que esse comportamento se deve ao motivo de ser a atriz com menos fama de todos os paineis do evento. Apesar disso, foi notório que foi crescendo a confiança e com o tempo surgiu um ambiente muito agradável. Foi possível ver o seu bonito sorriso e o seu humor foi invadindo a plateia. Com perguntas tanto em português como em inglês, foi respondendo ao vasto público presente e contando um pouco dos seus gostos e do seu percurso com actriz. Foi um arranque das entrevistas muito bom.

Depois da apresentação dedicada ao maior site de entretenimento do nosso país, o Tá Bonito, seguiu-se o painel dedicado aos filmes épicos Balas & Bolinhos com a presença em palco de Luis Ismael, J. D. Duarte e Jorge Neto. A quantidade de público presente, apesar da hora tardia, confirmou o sucesso e o número de fãs que esta trilogia ainda mantém. Luis Ismael levou-nos pela caracterização de todos os personagens e explicou os motivos que estiveram na origem da sua criação, afirmando que é um retrato da sociedade do nosso pais e uma viagem por vários locais do permite-nos sempre identificar pessoas que têm semelhanças com o Culatra, Tone, Rato ou Bino. E isso é verdade. A moderação esteve a cargo de Álvaro Costa, uma presença totalmente dispensável. Foi patético ouvi-lo afirmar que o papel do moderador numa Comic Con é apenas servir de ligação entre os convidados e público ao mesmo tempo que o seu comportamento demonstrava o contrário. Felizmente a sua presença não bastou para ofuscar o elenco de Balas & Bolinhos. Após algumas intervenções do público a pedir uma parte 4 da saga, Luis Ismael afirmou que  esta possibilidade não está nos seus planos mas que a sua equipa está a trabalhar em novos projetos. Ficamos todos a aguardar.

máscaras originais utilizadas nos filmes Vendetta, Scream e Hollow Man

Aa máscaras originais utilizadas nos filmes Vendetta, Scream e Hollow Man

À saída do evento os visitantes ainda tinham mais uma surpresa. A exposição SyFy com imensos adereços originais utilizados em vários filmes.

Dia 2 – a confusão

O segundo dia trouxe a multidão em massa à Comic Con. As filas eram longas e todos queriam chegar perto de Natalie Dormer. A atriz de Game Of Trones concentrou todas as atenções e as filas para aceder aos locais onde esteve presente foram gigantescas. Aliás, muitos foram os que não conseguiram entrar no auditório. Houve muitas críticas em relação à falta de espaço no auditório ou à impossibilidade de obter um autógrafo de  Natalie, mas é necessário ter em atenção que essa é uma característica que envolve todas as Comic Con e apenas prova o sucesso da versão portuguesa, que à partida já anunciava que a entrada no recinto não garantia um lugar nos auditórios. Contudo, para todos os que demonstraram muita persistência, tiveram a oportunidade de conhecer Natalie Dormer e viram  o esforço recompensado.

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Natalie Dormer com a imensa multidão que a recebeu em pano de fundo

Com a moderação do divertido Luís Filipe Borges, Natalie Dormer além de ser uma mulher muito bonita mostrou-se também descontraída nas suas intervenções, com muito sentido de humor e acessível ao público. Contrariando a ideia de alguns, que a criticam por ter um olhar complacente e bajulador, divertiu toda a audiência e encantou-nos a todos. Depois de uma passagem por vários papeis da sua carreira falou-se dos seus atores, séries, filmes e personagens preferidos e, claro, sobre Game of Trones. Sempre com o cuidado de não revelar spoilers, confirmou o final das gravações da 5ª temporada e ainda houve tempo para abordar o feminismo e a nudez na série. Sem dúvida, o melhor momento da Comic Con Portugal. Este dia contou ainda com a presença de Seth Guiliam, o Father Gabriel Stokes em The Walking Dead.

No final estava provado o sucesso da Comic Con em Portugal mas também deve servir de alerta para a organização. Há ainda muito a melhorar na gestão de multidões.

Dia 3 – a confirmação do sucesso

O terceiro e último dia levou menos gente à exponor. Contudo, ainda foram muitos milhares que marcaram a presença no dia com maior número de eventos no programa.

Neste dia, o auditório praticamente encheu para receber Clive Standen, o ator que representa o Rollo da série com bastante popularidade ente nós, Vikings. O público português acarinhou o ator com dezenas de representações de personagens da série e com inúmeras manifestações de carinho a que este respondeu sempre pela positiva, desde pedidos de autógrafos a abraços, que chegaram ao ponto de Clive correr pela multidão para abraçar e beijar uma fã. Clive Standen demonstrou ser um ator apaixonado pela representação de lutas e épocas medievais e que por isso, o seu papel em Vikings, é tudo o que sempre sonhou. O moderador da conversa foi o crítico de cinema Luis Salvado e tal como ele afirmou e nós subscrevemos: “Clive Standen, the coolest guy in Comic Con Portugal”.

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Clive Standen em palco

Paul Blackthorne era o homem que se seguia. Conhecido pelo papel de Detetive Quentin Lance na popular séria Arrow, era já conhecido na Comic Con Portugal como o homem do Hall of Fame, por ser a pessoa com mais horas de autógrafos dados. Os fãs e a organização agradeceram por isso. Esteve sempre divertido e foi muito participativo com os fãs.

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Paul Blackthorne a furar a organização para dar autógrafos

Ainda houve tempo para a presença dos criadores do filme português Capitão Falcão. O filme da série que deveria ter existido mas nunca aconteceu, foi apresentado pelo realizador João Leitão como um filme de super heróis ao estilo de um Adam West a interpretar Batman mas inspirado nos anos 60 de Portugal. Foi caracterizado pelo realizador como o filme mais ofensivo em Portugal que tem recebido críticas políticas pela mensagem que transmite, desde a direita à esquerda. Depois de assistir ao episódio piloto da série que deveria ter sido criada e do trailer do filme temos de afirmar que estamos ansiosos pela estreia do que parece ser um grande filme de humor/artes marciais/super heróis.

Comic Con – no final

Depois dos três dias podemos concluir que a Comic Con Portugal foi um tremendo sucesso. Esperemos que a organização aprenda com os aspectos não tão positivos e que cresça ainda mais nos próximos anos.

 

Exemplos de cosplay

No final do dia de domingo eram muitos os resistentes que teimavam em não abandonar os espaços. Já muitos expositores estavam a fechar e centenas de fãs insistiam em passear-se e utilizar os espaços para jogos que ainda estavam disponíveis. Só mesmo a exaustão ia abatendo os mais resistentes.

Comic Con

A exaustão atinge alguns participantes… por favor, não confundir com aborrecimento!

Podemos concluir que este evento tem público no nosso país e que já conquistou uma mística que garantirá o sucesso em edições futuras. Sentiu-se uma tristeza saudável na apresentação final de Joe Reitman e os rostos do público demonstrava já saudades desta edição. A grande crítica vai para nós mesmos, por não termos em nossa posse um pack experience, que queremos muito adquirir para o próximo ano.

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O momento final da Comic Con Portugal

Volta de novo Comic Con, nós queremos muito!

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