No fim da linha – Uma curta-metragem sobre o tráfico humano

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Durante o mês de outubro esteve em cena no Teatro Turim, a peça “No fim da linha“, da autoria de Eva Lourence e com encenação de Nuno Loureiro. Agora, inserido no mesmo projeto, chega-nos o primeiro trailer da curta-metragem No fim da linha….

A curta-metragem No fim da linha… tem como mentora Eva Lourence, a realização do jovem Filipe Almeida e a produção de Mónica C. Welton. No filme, acompanhamos a vida de três pessoas muito distintas, vítimas de uma rede de tráfico sexual, cujo destino colocou no mesmo bar de alterne.

Maria Vieira é uma entrevistadora em "No fim da Linha..."Foto Jonas Batista.

Maria Vieira é uma entrevistadora em “No fim da Linha…”.

Maria Vieira é uma entrevistadora em “No fim da Linha…”-

Assistimos às histórias mais obscuras das vidas de Margarida, Letícia e Mara, escravizadas e tratadas como mercadoria. Acompanhamos os seus relacionamentos luxuriosos com os clientes do bar e somos testemunhas das relações turbulentas com os indivíduos que as mantêm nessa situação. Um testemunho ficcionado mas que poderia ser muito real.

Pode ser que ainda não tenha ouvido falar de No fim da linha…, mas não vai querer perder este bonito e chocante filme, que nos alerta para o obscuro mundo das vítimas do instinto pecaminoso do ser humano.

Pedro Nuno Giestas, Francisco Areosa e Eva LourenceFoto Jonas Batista.

Pedro Nuno Giestas, Francisco Areosa e Eva Lourence.

Estivemos à conversa com a produtora deste projeto, Mónica C. Welton, para nos dar a conhecer este filme.

Entrevista com Mónica C. Welton, a produtora de No fim da Linha…

Para que os nossos leitores conheçam melhor quem está por detrás de “No fim da Linha…” e as suas origens, pedimos que se apresente. Como surge a Mónica C. Welton no cinema e o que faz?

Desde sempre o cinema foi um entusiasmo e paixão para mim. Após alguns ingressos noutras áreas, decidi que deveria enveredar por um curso de cinema e foi dessa forma que acabei por frequentar e concluir a licenciatura em Cinema e Audiovisual da Escola Superior Artística do Porto. Trabalho em produção e direcção artística.

Qual foi a inspiração para este projeto? Existe algum filme particular ou alguma situação real que a inspirasse?

Quando entrei neste projeto, já havia um esboço, uma ideia em desenvolvimento, pela Eva. Ela tem-se preocupado desde há alguns anos com estas temáticas violentas e sociais, como a prostituição, a violência entre seres humanos e animais, o tráfico de seres humanos, a escravatura sexual, entre outras coisas. Quando a Eva lançou o desafio, interessei-me de imediato pelo trabalho porque é, efetivamente, uma temática social forte e que me interessa e acaba por dar seguimento ao tipo de projetos onde trabalhei anteriormente. Que abrangem temas sociais, civis, económicos…

O que nos pode dizer acerca de “No fim da Linha…”? Nós só vimos ainda o trailer mas ficamos com a impressão de que é um drama humano carregado de tensão sexual. Há mais além disso?

Há mais do que a tensão sexual em si, e essa tensão sexual por si só é negativa. É um drama humano e social, inquietante, que pretende lançar a discussão sobre o tema e espera não deixar ninguém indiferente.

Gostaríamos de saber mais sobre as personagens, sem divulgar muito para quem ainda não viu o filme, claro. A conhecida, e muito acarinhada, Maria Vieira surge no papel de entrevistadora. Qual é a sua relevância no filme e o que poderemos esperar do seu papel?

A participação da Maria foi muito especial para nós. A Maria surge num registo diferente do que nos habituamos a ver. Penso que para o espectador será interessante uma visão diferente sobre uma atriz tão acarinhada pelo público e que tem um lugar definido no panorama nacional.

Poderá revelar-nos os objetivos futuros para o filme? Já têm datas para a estreia? Estarão presentes em festivais e como o esperam divulgar?

O nosso objetivo é divulgar o filme, o máximo possível, entre exibições nacionais e internacionais. Estamos, de momento, a tratar de algumas datas de exibição a nível nacional, entre elas a estreia, mas ainda não temos confirmação, motivo pelo qual ainda nada podemos divulgar. Pedimos que nos sigam, na página do filme no facebook pois, através dela faremos toda a comunicação e divulgação de datas de exibição, factos e curiosidades sobre o projeto. Estamos também a estudar o panorama dos festivais e a trabalhar nesse tipo de distribuição do filme.

Ficamos impressionados com a qualidade das imagens no trailer. Que tipo de câmeras e material utilizaram nas filmagens?

A câmera que utilizamos foi a Nikon D800,

Quais são os seus pensamentos em relação à indústria cinematográfica portuguesa? Tem sido fácil ou difícil concretizar os projetos que idealizam?

Acredito que temos muito talento em Portugal, que infelizmente é mal aproveitado. Temos profissionais bem formados, criativos e inovadores; o cinema precisa de uma maior injeção a nível de incentivos, é necessária uma melhor distribuição de verbas, mais patrocínios e a “indústria” precisa crescer muito mais para ser assim chamada.

Não tem sido fácil concretizar projetos. Tem sido muitas vezes um misto entre algum dinheiro disponibilizado pelo ICA (enquanto ainda estava na licenciatura) e expensas próprias. Este projeto é disso exemplo, pois é totalmente independente, não teve qualquer ajuda monetária, e foi financiado pela mentora, a título pessoal.

Em suma, precisamos que acreditem mais em nós e que nos seja dada a oportunidade certa para mostrar o quanto valemos.

Agradeço o interesse pelo nosso filme, em breve muitas novidades estarão disponíveis.

A equipa do CineMag.pt agradece a disponibilidade de Mónica C. Welton para responder às nossas questões.

Veja a ficha técnica e o trailer de No fim da Linha…

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