Star Wars: Onde foi George Lucas buscar inspiração?

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A marca Star Wars está associada a filmes, livros, bandas desenhadas, jogos de computador, brinquedos e desenhos animados. É um universo criado por Geoge Lucas, que utiliza aspetos comuns da ficção cientifica, da mitologia clássica e bandas sonoras épicas.

A sua história de lutas entre o bem e o mal, ou a democracia e o império, é um dos exemplos mais populares do género de ficção cientifica futurista e espacial, É também o quinto franchise a gerar maior lucro desde sempre, aparecendo logo atrás de Harry Potter, o universo Marvel, James Bond e Senhor dos Anéis.

Chewbacca, com Luke, Leia, Han, e os droides

Chewbacca, com Luke, Leia, Han, e os droides

Mas o que está na origem deste enorme sucesso?

Origens de Star Wars

Foram sugeridas muitas influências na criação deste universo, quer pelos fãs, críticos, ou pelo próprio George Lucas. Lucas afirmou que tinha como intenção criar uma obra baseada nos guerreiros samurais do filme The Hidden Fortress de Akira Kurosawa, com a utilização de um vocabulário e cenários futuristas de Flash Gordon, a magia ao estilo de Senhor dos Anéis de Tolkien e as ideias do antropólogo e especialista em mitologia Joseph Campbell. Parece complicado, não é?

Flash Gordon e The Time Machine

George Lucas chegou a divulgar que a sua ideia original era realizar uma nova versão de Flash Gordon. Como não conseguiu o acesso às licenças, acabou por abandonar a ideia, mas acabou por utiliza-la como inspiração.

Em Star Wars existe a sensação de se estar a assistir a um conto de fadas, onde a tecnologia desempenha o papel tradicional da magia. Esses princípios são inspirados em Flash Gordon. Contudo, o uso desta ideia surge pela primeira vez nas obras de H.G. Wells, no seu romance The Time Machine de 1895.

H.G. Wells acreditava que a cultura necessita de mitos para avançar e os mitos necessitam de ser plausíveis para funcionar corretamente. Também acreditava que a revolução industrial tinha destruído a ideia de que a magia das fadas é real. Por isso, pensou em utilizar a era industrial para criar um novo tipo de magia, onde existem máquinas do tempo em vez de tapetes voadores, extraterrestres como dragões e cientistas como magos. Wells combina essas ideias com os cartoons políticos da época, exagerando em alguns pontos para contornar possíveis preconceitos ao fazer críticas. Baseado nas suas ideias escreve The Time Machine e chama ao seu género de escrita de fantasia científica. Esta acaba por ser a obra que inspira os criadores de Flash Gordon e todo um género cinematográfico, a que chamamos agora ficção científica.

The Time Machine

The Time Machine

Apesar de George Lucas abandonar a ideia de realizar uma nova versão de Flash Gordon, continua a utiliza-la como inspiração e esta marca acaba por ficar visível em vários aspectos. Por exemplo, o género cinematográfico é na totalidade inspirado em H.G. Wells e a sua fantasia científica. Também as lutas entre rebeldes e forças imperiais no espaço, ou os famosos créditos de início, provêm de Flash Gordon.

flashstar

à esquerda os créditos de Flash Gordon, à direita Star Wars

Os filme Jidaigek de Akira Kurosawa

Star Wars apresenta semelhanças consideráveis com alguns filmes do género cinematográfico Japonês chamado Jidaigeki, sobretudo com as obras do realizador Akira Kurosawa. Estes filmes são dramas de época, dos tempos dos samurais, que utilizam um conjunto restrito de regras, como a maquilhagem, as roupas e as lutas de espadas.

Versão Samurai de Star Wars

Versão Samurai de Star Wars

Kurosawa tornou-se famoso por contar histórias acerca dos samurais Japoneses, usando ideias dos filmes americanos de cowboys e de detetives. Lucas sentia uma admiração pelo seu trabalho e adapta muitas cenas dos seus filmes na saga. O exemplo mais visível é o personagem de Darth Vader, que se parece muito com os samurais de Kurosawa. Também o nome Jedi provém de Jidai Geki, que traduzido à letra significa dramas de época.


George Lucas fala sobre Akira Kurosawa

 Joseph Campbell

Joseph Campbell foi um cientista que estudou a fundo mitologia e religião comparada. Um dos seus grandes trabalhos está representado no livro The Hero With a Thousand Faces, onde propõem a teoria que os mitos espalhados em todo o mundo são construídos a partir das mesmas ideias elementares, com características similares e únicas. Acreditava que todos nascemos com o mesmo modelo do que é um herói ou um mentor no subconsciente. Isto significa que, independentemente da linguagem ou da origem de cada um, todos apreciamos o mesmo tipo de histórias.

No seu trabalho, Campbell afirma que existem protótipos em todas as religiões do mundo e que todos os mitos seguem as mesmas regras para definir os seus heróis. Todas as religiões são escritas sobre os mesmos padrões, representando contentores diferentes para a mesma verdade e que o truque que estas usam é construir os invólucros corretos para recolher os diamantes certos.

O monomito (às vezes chamado de “Jornada do Herói”)

Esta visão deu a George Lucas o ponto de convergência que precisava para desenhar o seu universo imaginário, misturando as várias inspirações numa única história. Resumindo o livro The Hero With a Thousand Faces, podemos dizer que a vida de um herói é cuidadosamente construída sobre um mesmo plano. A saber:

  • 1º passo, A partida: O chamamento; Recusa do chamamento; Impulso sobrenatural; O primeiro problema; Separação do herói do seu mundo.
  • 2º passo, A Iniciação: O caminho das provas; Encontro com os deuses; As provas pelas tentações; Expiação com o pai; Apoteose (tornando-se deus); Concretização do objetivo da busca.
  • 3º passo, O regresso: Recusa do regresso; O regresso mágico; Ajuda no regresso; Problemas no regresso; Atingir o grau de Mestre de Dois Mundos; Liberdade de viver.

É possível identificar todas estas fases na história de Star Wars. Aliás, depois de Lucas, muitos outros realizadores começaram a servir-se destas ideias, como por exemplo a trilogia The Matrix. Após o lançamento de Star Wars, Lucas  e Campbell tornam-se amigos. Este último diz mesmo que estes filmes são os responsáveis por reintroduzir a força dos mitos no mundo moderno.

Senhor dos Anéis de Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien desenvolveu desde criança a obsessão pela criação de uma linguagem imaginária. Quando se torna um académico de Oxford, chega à conclusão que para a linguagem ser real, teria de refletir a história de uma cultura. Isto é, deveria estar associada a uma história e a um mito. Então escreve The Hobbit em 1936 e O Senhor dos Anéis em 1954, para servir a linguagem imaginária que tinha criado. Na década de 60, O Senhor dos Anéis é provavelmente a mais conhecida e influente história de fantasia no mundo ocidental.

George Lucas afirmou várias vezes que esta obra tem uma influencia enorme em Star Wars. Lucas aprendeu de Tolkien o modo delicado de trabalhar com mitos, muitos métodos para lidar com a luta entre o bem e o mal, e a melhor forma de conseguir comunicar a moralidade.

Star Wars pode ser Flash Gordon por fora, possuir uma estrutura assente em Campbell, mas o seu coração, o mito, é desenhado a partir de Tolkien.

O sucesso de Star Wars

Lucas detestou quando assistiu à primeira versão do filme. Para o satisfazer, foi necessário trocar de produtores e voltar a gravar algumas das cenas. A estreia chegou mesmo a ser adiada de 1976 para o verão de 1977. Todos pensavam que iria ser um fiasco e, quando o filme foi lançado, poucos cinemas o projetaram. Um mês depois, estava a ser exibido em todo o mundo, em centenas de cinemas. O público, especialmente o mais jovem, queria ver as aventuras de Luke Skywalker, Han Solo e da Princesa Leia, vezes sem conta.

Os brinquedos, construídos a partir dos filmes, vendiam-se aos milhares e Star War, durante 1978, transformou-se num dos filmes mais lucrativos de sempre. Nesse ano, obteve a nomeação para 10 Óscars, incluindo o de melhor filme, ficando com a estatueta em 6 categorias. Isto provava a todos que Star War não era apenas um filme para crianças.

Pósteres de Star Wars

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